Desde os tempos da Antiguidade até à ciência moderna, a Química tem estado, essencialmente, ligada ao desenvolvimento da humanidade, permitindo avanços extraordinários ao longo de diferentes áreas. Desde a medicina até à tecnologia, têm ocorrido múltiplas descobertas químicas críticas, destacando-se a síntese de antibióticos e vacinas que revolucionaram o tratamento e a prevenção de doenças, entre outras inovações que transformaram diversas indústrias – e.g., desenvolvimento de biocombustíveis (setor energético), de materiais mais leves e resistentes (setor da construção e automóvel), de medidas de segurança alimentar (setor alimentar), entre outros.
No entanto, todo este progresso teve um custo ambiental, carregando consigo desafios ambientais e sociais que não podem ser ignorados. De facto, a produção em larga escala de plásticos, fertilizantes, combustíveis, e, medicamentos transformou a sociedade tal como hoje a conhecemos, contudo, a dependência de recursos fósseis, a emissão de poluentes, e, a acumulação de resíduos não biodegradáveis culminaram na contaminação do solo, da água e do ar, comprometendo diversos ecossistemas, e, sobretudo a biodiversidade.
É fundamental que a evolução dos processos produtivos e da investigação geral, seja orientada para a minimização dos impactes ambientais, promovendo a eficiência na utilização de recursos, a redução de resíduos, e, a adoção de soluções ecológicas e ambientalmente responsáveis. Só desta forma será possível garantir, não apenas o bem-estar do planeta, mas, também, um futuro mais saudável e equilibrado para as gerações futuras.
Perante este cenário, é indispensável e imperial que a Química se una à sustentabilidade. Assim, a Química deve, portanto, ser capaz de conciliar progresso e responsabilidade ambiental, desenvolvendo novas alternativas inovadoras que atendam às necessidades atuais e futuras da sociedade, sem comprometer os recursos naturais essenciais à vida.
Diante desta problemática, nos últimos anos, o conceito de Química Verde tem-se consolidado como um dos pilares fundamentais para a transição rumo à sustentabilidade. A crescente consciencialização sobre o potencial da indústria química perante questões ambientais emergentes, tem impulsionado inovações e soluções que procuram corresponder às necessidades atuais da sociedade, e, preservar os recursos naturais para as gerações futuras. Entre as inovações impulsionadas pela Química Verde destacam-se:
– Os materiais biodegradáveis e bioplásticos, que oferecem soluções sustentáveis para o problema dos resíduos plásticos – reconhecidos como os principais poluentes dos oceanos e ecossistemas -, sendo de notar uma das grandes apostas atuais referente à fabricação de bioplásticos a partir de fontes renováveis como amido e cana-de-açúcar, face ao seu potencial para redução da quantidade de plástico não biodegradável no ambiente;
– A catálise sustentável, capaz de reduzir o consumo de energia, bem como, de otimizar recursos e a economia circular que promove o reaproveitamento de resíduos industriais;
– A captura e reutilização de CO2 e a sua conversão em compostos químicos úteis, como combustíveis sintéticos, a qual se verifica uma abordagem promissora para combater as alterações climáticas, pois, além de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, esta tecnologia transforma o CO2 num recurso valioso, auxiliando na transição para uma economia de carbono reduzido;
– O Hidrogénio Verde, cuja produção utilizando fontes de energia renováveis, tem ganho destaque como uma alternativa limpa para os combustíveis fósseis; e, entre outras,
– A substituição da dependência de fontes fósseis por fontes renováveis, como biomassa e resíduos agrícolas, a qual se tem tornado uma estratégia com potencial significativo para garantir matérias-primas para os processos químicos e a sustentabilidade dos recursos, bem como, para reduzir o impacte ambiental associado à extração de recursos naturais não renováveis.
Estes princípios, baseados na indústria química, estão, portanto, a reformular paradigmas, abrindo caminho para um futuro mais sustentável. Com efeito, com o avanço da Química Verde, as inovações (e o conhecimento intrínseco) desenvolvidas ao longo da história podem e devem, agora, ser direcionados para a correção de erros do passado, com o objetivo de desenvolver soluções que atendam às necessidades da sociedade, sem comprometer os recursos naturais ou a saúde do planeta.
O futuro da Química está, sem dúvida, entrelaçado com a responsabilidade ambiental, cabendo à humanidade garantir que o progresso científico e tecnológico continue a ser uma força propulsora de inovação e sustentabilidade para um mundo melhor.
A sustentabilidade química não é apenas uma tendência, mas sim uma necessidade global. Desta forma, as empresas do setor químico estão a apostar, cada vez mais, em Investigação e Desenvolvimento (I&D), desenvolvendo soluções que promovem a eficiência e sustentabilidade de processos e tecnologias, e, reduzem a pegada ecológica. Neste contexto, incentivos como o Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial (SIFIDE) desempenham um papel essencial, permitindo às empresas investir em atividades de cariz investigacional, enquanto beneficiam de vantagens fiscais. Este apoio ajuda a transformar ideias inovadoras em soluções reais para um mundo mais sustentável.
Em suma, a responsabilidade ambiental deve ser uma prioridade, assegurando que a ciência e a inovação possam continuar a transformar o mundo sem causar danos irreparáveis. A colaboração entre empresas, governos, e, sociedade, será essencial para tornar a sustentabilidade química uma realidade global, garantindo um património que preserve o planeta para as próximas gerações.
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