A 1ª Revolução Industrial (Indústria 1.0) iniciou-se no final do século XVIII, marcada pela mecanização da produção, com a introdução de máquinas a vapor e teares mecânicos como substitutos do trabalho manual e potenciadores de produtividade. A Indústria 2.0 surgiu no final do século XIX e início do século XX, consubstanciada em linhas de montagem (e produção em massa), sendo prosseguida pela Indústria 3.0, a partir da década de 1970, com a introdução da automação e computação.
Atualmente, o setor industrial encontra-se na Indústria 4.0 (“I4.0”), caracterizada pelas fábricas inteligentes baseadas na digitalização e integração de tecnologias avançadas, como, a título de exemplo, Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Big Data, e, entre outras, Cloud Computing. No entanto, já é possível identificar um novo paradigma emergente – a Indústria 5.0 (“I5.0”), entendida como a combinação do fator humano (i.e., inteligência emocional e criatividade), com a produtividade dos equipamentos (i.e., precisão e eficiência das máquinas).
É interessante verificar que, desde a 1ª Revolução Industrial, o foco da evolução prende-se com a evolução técnica e tecnológica fabril, inferindo-se, portanto, a relevância da reintrodução do foco no Homem com a I5.0. De facto, a I4.0 potenciou um progresso tecnológico exponencial a ritmos mais céleres que a própria evolução da sociedade, o que, por um lado, se evidencia como altamente significativo em múltiplos aspetos do quotidiano e até campos de investigação (e.g., a identificação precoce de doenças), mas, por outro lado, aumentou uma narrativa emergente de preocupação (e.g., em termos de privacidade e segurança dado o aumento do cibercrime, desemprego tecnológico, impacte ambiental associado ao descarte de dispositivos tecnológicos rapidamente ociosos, etc.).
A nova abordagem industrial, a I5.0, verifica-se, portanto, altamente pertinente, ao voltar a introduzir a importância do fator humano, que, desde o final do século XVIII tem sido, progressivamente, colocado em segundo lugar, a favor de toda a medida tecnologicamente inovadora que potenciasse o aumento da produtividade em geral. Este novo (mas “tradicional”) foco no fator humano, revela-se, em maior medida, relevante, quando se reflete sobre a enorme revolução tecnológica potenciada pela I4.0.
Pense-se nos robôs humanoides criados, como, a título de exemplo, o Optimus (Tesla Bot), desenvolvido pela Tesla, que pode mover-se apoiado em duas pernas e interagir com o mundo físico com um par de braços e mãos. O foco nos seres humanos na indústria está a diminuir de tal modo, que este é um exemplo de múltiplos no que se refere a robôs humanoides.
É neste contexto que se reafirma a emergente importância do novo paradigma I5.0, que visa voltar a introduzir na equação produtiva os seres humanos como variável não substituível, mas sim, valorizada e aclamada. Note-se que, por muita novidade tecnológica que possa ser introduzida, a essência humana permitiu à sociedade as maiores evoluções científicas, humanas, sociais, etc., na história. Afinal, foi o Homem que inventou a roda, que pisou a Lua, que compreendeu como se desenvolveu o Universo há 14 biliões de anos, que desenvolveu a medicina, a matemática, a engenharia, a filosofia, a literatura, a biologia, a física e a química, e que, em última instância, potenciou todo o desenvolvimento tecnológico do mundo como o conhecemos hoje, incluindo todo o progresso que sustenta a I4.0.
Assim
, e, numa era tecnológica em que se levantam questões em torno da dúvida sobre onde colocar um limite e até onde é correto e ético ir, este “regresso às origens” industriais potenciado pela I5.0, é, como tal, fundamental e entendido como potenciador de esperança para o futuro. Mais que isso, a combinação do potencial da essência humana com o progresso tecnológico industrial, materializa-se numa abordagem com potencial sem precedentes. A evolução tecnológica é tal que, quando combinada com a inteligência e pensamento crítico humano, se verifica como meio para investigações, desenvolvimentos, e, descobertas sem precedentes até então.
Com efeito, a I5.0 vem, adicionalmente, verificar-se como desbloqueador e alavanca de Investigação e Desenvolvimento (I&D) inovadora e expressivamente crítica numa altura em que as preocupações da sociedade referentes ao futuro são diversas – em questões de responsabilidade social e ambiental. Efetivamente, o espaço para a evolução técnico-científica em paridade com a valorização do “tradicional” papel do Homem como fomentador da criatividade e essência singular a montante de qualquer projeto de I&D, potencia, de forma indubitável, uma crescente margem de I&D que permita atender a necessidades alinhadas com as preocupações futuras, em consequência da análise do passado e do presente a nível tecnológico, económico, ambiental, social, etc.
Ora, acompanhando o potencial da evolução da I&D consubstanciada na I5.0, é de salientar um apoio às organizações que desempenham atividades desta natureza – o Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial (SIFIDE). O SIFIDE visa apoiar o esforço em I&D empreendido pelas empresas, através da dedução à coleta do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC) das despesas referentes às atividades desempenhadas para esse fim.
Em suma, evidenciando-se a importância da adoção da emergente I5.0 como meio para “regressar às origens”, e, a sua capacidade para potenciar I&D inovadora, criativa, e, relevante, salienta-se que, estruturando e organizando a sua I&D de forma robusta, as organizações contribuem para uma narrativa de progresso, e, tornam-se elegíveis para o supramencionado benefício fiscal.
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